A juventude e o trabalho precário
A propósito da manifestação hoje realizada em Lisboa em protesto para com o proliferar do trabalho precário no nosso país, queriamos aqui deixar alguns comentários à actual conjuntura nesse particular, uma vez que muitos de nós nos encontramos a trabalhar sop essas condições.
Quem trabalha a recibos verdes sabe que a precaridade do trabalho é alarmante. Em primeiro lugar, não existe qualquer contrato ou papel assinado quanto às condições acordadas entre a entidade patronal e o contratado. Logo aí, a situação é crítica, uma vez que pode levar ao incumprimento por parte da dita entidade de toda e qualquer promessa feita de início (repare-se que os contratos são verbais…).
Mas talvez o maior problema esteja nos direitos (ou a não existência dos mesmos) de qualquer contratado a recibos verdes. Com efeito, são 150 euros que qualquer pessoa sob estas condições desconta todos os meses para a Segurança Social que, conforme o próprio nome sugere, deveria proteger socialmente o empregado. No entanto, esses 150 euros mensais apenas funcionam como descontos para a reforma. E então a doença? E o subsídio de desemprego? Quem trabalha a recibos verdes não tem direito a baixa nem a receber qualquer tipo de subsídio em caso de ficar sem emprego (o que pode acontecer de um minuto para o outro, sem necessidade de aviso prévio por parte da entidade patronal).
Existirá justiça na ‘Segurança’ Social? Trará ela efectiva segurança para o trabalhador? O trabalho precário continua a avançar entre os jovens e esta é uma questão que interessa a todos. É cada vez mais difícil a um jovem conseguir decidir o seu futuro, uma vez que lhe é proporcionalmente difícil a emancipação financeira. Não existem garantias de amanhã continuar empregado, mesmo que desenvolva um bom trabalho na sua área profissional. É isto que a nosso ver tem que ser discutido para conseguirmos encontrar alternativas e melhores perspectivas de futuro. Gostaríamos que este fosse um ponto na ordem do dia na Juventude Socialista, uma vez que é extremamente sensível para todos os jovens nos seus primeiros anos de trabalho. Parece-nos mesmo o ponto essencial.